Saí do Grogue sem levar nada, exceto uma casca do coco partido — apenas para lembrar que, às vezes, o melhor que podemos fazer por um lugar é ir embora. Deixar a tenda desmoronar. Deixar o coco alimentar o chão. E deitar-se por fim, não na areia, mas no entendimento de que não somos donos de nada.
Depois, olhariam para o coco quebrado e diriam: "Vêem? Finalmente cumpriu o seu destino. Caiu, partiu-se, alimenta o chão. Ao contrário do vosso plástico e das vossas lonas, o nosso fruto não insulta a terra quando morre." Saí do Grogue sem levar nada, exceto uma
Cheguei à Praia do Grogue quando a maré começava a encher. O vento sul trazia aquele cheiro de sal e mato molhado. O que me chamou a atenção, a meia distância, não foi a beleza crua do lugar, mas uma mancha de cor vibrante contra a areia escura: uma tenda azul-marinho, meio desabada. E deitar-se por fim, não na areia, mas
E sobre o humano que se deitou na tenda e se foi: "Ele veio procurar silêncio, mas não se atreveu a ficar. Deitou-se, ouviu o nosso ritmo — as raízes a sugar, as folhas a transpirar, o crescimento invisível — e assustou-se. Porque o verdadeiro abandono não é deixar uma tenda na praia. É não conseguir descansar sem deixar rasto." Caiu, partiu-se, alimenta o chão
Deitei-me dentro da tenda vazia só por um instante. O tecido reteve o cheiro de suor e protetor solar de quem partiu. Fechei os olhos. E senti o mesmo que ele sentiu: o peso de não pertencer.